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Imprensa internacional destaca avanço da direita no Brasil; Bolsa bate recorde após primeiro turno

Cobertura estrangeira ressaltou a liderança de Flávio Bolsonaro e a nova composição do Congresso; no primeiro pregão após a votação, Ibovespa subiu 7,7% e dólar caiu 4,12%.

O resultado do primeiro turno das eleições brasileiras, realizado no domingo (4), repercutiu na imprensa internacional com destaque para a liderança de Flávio Bolsonaro (PL), o fortalecimento da direita no Congresso e os desafios de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa seguinte. Na segunda-feira (5), o mercado financeiro brasileiro reagiu positivamente, com recorde da Bolsa e valorização do real.

Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

A agência Reuters destacou a influência de Jair Bolsonaro sobre o resultado, mesmo sem participar como candidato. A reportagem relacionou o desempenho de Flávio às vitórias de familiares e aliados do ex-presidente e à ampliação da bancada do PL no Senado, de 15 para 28 integrantes. Na avaliação apresentada pela agência, o resultado fortaleceu o movimento bolsonarista e colocou Flávio em posição de favoritismo para a próxima votação.

O britânico The Guardian destacou o desempenho de Flávio acima das expectativas e o avanço de candidatos classificados pelo jornal como extrema direita. A Al Jazeera ressaltou a diferença entre o resultado e as pesquisas, além da continuidade da polarização brasileira.

Nos Estados Unidos, a Associated Press enfatizou a diferença estreita entre os presidenciáveis e a reorganização das campanhas. Segundo a agência, Lula busca ajustar sua mensagem e mobilizar eleitores, enquanto Flávio procura ampliar alianças e aproveitar o apoio conquistado no Congresso. A reportagem também apontou a importância dos votos destinados aos demais candidatos e dos eleitores que não compareceram às urnas.

O Washington Post analisou como a discrição de Donald Trump durante a campanha pode ter favorecido Flávio, evitando ampliar o debate sobre interferência estrangeira.

No mercado financeiro, o Ibovespa encerrou a segunda-feira com alta de 7,7%, aos 206.911,89 pontos, seu recorde de fechamento. Durante o pregão, atingiu 209.605,70 pontos. O volume negociado somou R$ 102,7 bilhões. Segundo a Reuters, investidores associaram o resultado eleitoral à maior possibilidade de ajustes nas contas públicas em um eventual governo Flávio Bolsonaro.

O dólar à vista caiu 4,12%, encerrando a sessão a R$ 5,0022. Foi a maior queda diária desde junho de 2018. Durante as negociações, a moeda chegou a R$ 4,9534. As taxas de juros futuros também recuaram, acompanhando a reação dos investidores ao cenário eleitoral.

O JPMorgan elevou sua recomendação para as ações brasileiras, indicando uma avaliação mais favorável após a votação. Entre os destaques do pregão, Magazine Luiza avançou 24,18%, BTG Pactual subiu 22,52% e as ações preferenciais da Petrobras ganharam 8,19%.

Apesar da reação positiva, analistas ouvidos pela Reuters apontaram que novas pesquisas, propostas econômicas e alianças poderão provocar oscilações nos preços dos ativos durante a campanha do segundo turno.


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