Pesquisa baseada em dados do TSE registra 8.088 votos para Lula e 2.565 para Flávio Bolsonaro; urnas também podem receber votos de servidores e policiais penais
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato à Presidência mais votado nas seções instaladas em presídios e centros de detenção identificadas em levantamento publicado pela Gazeta do Povo nesta terça-feira (6). Segundo o jornal, que utilizou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 8.088 votos, equivalentes a 72,98% dos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somou 2.565, ou 23,15%, no primeiro turno realizado no domingo (4).
Os números correspondem às seções pesquisadas pelo veículo. Nas fontes consultadas, não foi localizado um balanço nacional do TSE que separasse os resultados exclusivamente dos presos provisórios dos votos dos demais eleitores habilitados nesses locais.
A Resolução nº 23.751/2026 estabelece que as seções em unidades prisionais também podem receber votos de agentes penitenciários, policiais penais, servidores e mesários que tenham transferido temporariamente o local de votação. Por isso, o resultado de uma urna instalada em presídio não representa necessariamente apenas os votos das pessoas custodiadas.
Em Brasília, na seção 420 da 18ª Zona Eleitoral, instalada no Complexo Penitenciário da Papuda, Lula recebeu 74 votos e Flávio, 70. Ronaldo Caiado obteve seis, Renan Santos quatro e Augusto Cury dois. Foram registrados três votos em branco e três nulos. Dos 185 eleitores habilitados, 162 compareceram, participação de 87,57%, conforme os dados do boletim de urna reproduzidos pelo UOL.
Em São Paulo, os resultados variaram entre as unidades. Segundo reportagem do Brasil Paralelo, Lula recebeu 59 votos na Penitenciária Feminina P2 de Tremembé, contra cinco de Flávio. No Centro de Detenção Provisória de Caraguatatuba, foram 206 votos para Lula e 22 para o candidato do PL. Já na P2 de Potim, Flávio ficou à frente, com oito votos, contra sete de Lula.
Na região de Campinas, a mesma publicação informou que as seções da Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu e do Centro de Detenção Provisória de Campinas receberam, juntas, 239 eleitores, entre presos provisórios, servidores e policiais penais. Lula somou 216 votos e Flávio, 13.
Para as eleições de 2026, as regras do TSE asseguram a participação dos presos provisórios, definidos como pessoas recolhidas em estabelecimentos penais sem condenação criminal transitada em julgado, desde que cumpram os requisitos eleitorais. Pessoas com condenação definitiva ficam impedidas de votar enquanto durar a suspensão dos direitos políticos.
A instalação de uma seção em estabelecimento penal exige pelo menos 20 eleitores aptos, podendo incluir os profissionais habilitados a votar no local. A transferência depende da manifestação de vontade do eleitor, registrada em formulário próprio.


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