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Doria admite rever protocolos da PM após mortes em Paraisópolis

Governador também afirmou que telefonou ao ministro Sérgio Moro para comentar a fala dele sobre a polícia militar paulista. Polícia usará drones em operações.


Governador João Doria comenta vídeos em que PMs aparecem agredindo pessoas em Paraisópolis — Foto: Laís Modelli. G1 SP

Por G1 SP 

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quinta-feira (5) que orientou o secretário da Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos, a rever protocolos da Polícia Militar. O anúncio acontece depois de nove pessoas terem morrido durante operação da PM em Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista.

“O secretário da Segurança Pública já foi orientado a rever protocolos e identificar procedimentos que possam melhorar e inibir, senão acabar, com qualquer perspectiva da utilização de violência e de uso desproporcional de força em qualquer acontecimento do estado de São Paulo”.

Ao comentar vídeos que mostram policiais militares agredindo pessoas durante bailes funk em Heliópolis e Paraisópolis, Doria afirmou que ação ostensiva dos agentes nas comunidades "não é rotineira", apenas circunstancial.


“Não é rotineira. As circunstâncias pontuais que representam a falha do procedimento da polícia têm que ser corrigidas de imediato. Obviamente, aqueles que falharam, nessas circunstâncias, proporcionaram violência e uso desnecessário de força com vítimas, devem ser punidos”, afirmou Doria em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (5), no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul da capital.

O governador afirmou que ficou “muito chocado” ao assistir ao vídeo gravado em um baile funk em Paraisópolis, em outubro, em que um policial aparece agredindo jovens que passam correndo com um bastão de madeira. “É uma circunstância inaceitável”, disse.“Como governador de São Paulo, eu não aceito que esse procedimento exista e não vai mais existir. Pelo menos faremos de tudo para que isso não mais aconteça”.


Sobre a reunião com familiares das vítimas de Paraisópolis acontecida na noite da quarta (4), depois de uma manifestação pacífica até o palácio, Doria disse que garantiu ao parentes que as investigações serão concluídas.


“Fiz um compromisso do nosso governo na isenção da investigação”.


Drones

Durante a coletiva, o governador informou que entra em funcionamento a partir desta quinta (5) a polícia de drone do estado de São Paulo, a DronePol, em que 145 drones serão usados em operações, ações e fiscalizações de diversas naturezas.

“São drones de alta capacidade de definição de imagem. Ajudam muito em programas preventivos e em ações de identificação de fatos e ocorrências. Os drones permitem até a identificação de quantidade de pessoas, um número quase que preciso de pessoas que estão numa determinada área”, explicou o governador.

Questionado sobre a possibilidade do uso desses drones em ações policiais como a ocorrida em Paraisópolis no domingo, o secretário estadual de segurança pública também presente na coletiva, o General João Camilo Pires de Campos, afirmou que todas as operações previamente planejadas a partir de agora serão gravadas.

"Todas as operações serão gravadas porque, acima de tudo, protege a ação do policial e esclarece aqueles que comandam se há a possibilidade de ajuste ou não", afirmou o secretário Campos.
Telefonema a Moro
Doria afirmou que telefonou ao ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, para comentar a fala sobre excesso da polícia paulista na ação em Paraisópolis.

“Neste caso em São Paulo, com todo respeito à polícia lá da PM do Estado de São Paulo, que realmente é uma polícia de qualidade --ela é elogiada no país inteiro--, aparentemente houve lá um excesso, um erro operacional grave que resultou na morte de algumas pessoas", disse Moro se referindo às mortes de nove pessoas durante a ação policial em um baile funk

Para Doria, por estar contextualizada dentro de um seminário sobre a Lei Anticrime, a fala poderia sugerir “o sentimento dessa generalização que nós não queremos em relação à PM de SP”.

“Ele (Sérgio Moro) compreendeu bem e me explicou que não quis fazer ali essa generalização, mas apenas que pontualmente pode ter havido alguma situação que merecesse revisão de protocolo”, esclareceu Doria.


"É um fato triste na história de São Paulo, mas que tem que ser tratado de forma equilibrada e solidária", disse o governador, afirmando que, por outro lado, a polícia militar de São Paulo não deve ser “generalizada e criminalizada”, e que o ocorrido não deve ser transformado em um confronto entre a polícia e as comunidades e periferias da capital.

Histórico

A apuração de violência e repressão policial em bailes funk na cidade começou após a morte de nove pessoas durante uma ação da PM na madrugada do último domingo (1°), em Paraisópolis.


De acordo com a polícia, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam uma Operação Pancadão na comunidade – a segunda maior da cidade, com 100 mil habitantes – quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta.

A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.

Entretanto, relatos de testemunhas e moradores apontam que os frequentadores do Baile da 17 foram encurralados e agredidos pelos policiais militares na Viela Três Corações e na Viela do Louro.

O caso é investigado como morte suspeita, lesão corporal e homicídio a apurar. Na segunda-feira (2) o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu as investigações. Eles vão apurar se há envolvimento e responsabilidade de policiais nas mortes e lesões causadas às vítimas.


Seis PMs envolvidos na ação de domingo foram afastados preventivamente das ruas pela corporação para realizarem serviços administrativos. A Corregedoria da Polícia Militar apura a conduta dos agentes.






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