Um ano após fim da Cracolândia, região central de SP registra queda de 70% nos roubos e amplia rede de atendimento social
Um ano após o fim da Cracolândia, na região central da capital paulista, o Governo de São Paulo afirma que a área passou a registrar redução nos índices de criminalidade, ampliação do atendimento a dependentes químicos e avanço em projetos de requalificação urbana. Segundo dados oficiais, os roubos nos 3º e 77º Distritos Policiais, responsáveis pelas regiões dos Campos Elíseos e Santa Cecília, caíram 70% entre o primeiro trimestre de 2023 e o mesmo período de 2026.
As ações envolveram integração entre segurança pública, saúde, assistência social e administração municipal, culminando na desocupação definitiva da rua dos Protestantes, em maio de 2025, considerada símbolo do fim da Cracolândia como cena aberta de uso de drogas. O fluxo, que chegou a reunir cerca de 2 mil usuários, passou ao longo dos anos por vias como Helvétia, Dino Bueno, Alameda Cleveland e Praça Princesa Isabel.
De acordo com o governo estadual, os registros de roubos caíram de 2.905 ocorrências no primeiro trimestre de 2023 para 881 no mesmo período de 2026. O número anual de roubos também apresentou redução progressiva: foram 9.204 casos em 2022, considerado o maior índice desde o início da série histórica, em 2001. Em 2025, durante o processo de desmobilização da Cracolândia, o total caiu para 3.366 ocorrências.
O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, responsável pela coordenação das ações integradas na região central, afirmou que o resultado ocorreu por meio da atuação conjunta das forças públicas. Segundo ele, o enfrentamento exigiu presença permanente do Estado e articulação entre segurança, saúde e assistência social.
Na área da segurança, o governo informou que mais de 400 policiais militares passaram a atuar de forma permanente na região desde 2023, elevando o efetivo local para mais de 2 mil agentes. O policiamento também recebeu reforço por meio da Atividade Delegada, com cerca de 1,3 mil vagas adicionais. O programa Muralha Paulista, com uso de câmeras inteligentes, também integrou as ações de monitoramento.
As operações Downtown e Salut Et Dignitas, conduzidas pela Polícia Civil, tiveram como objetivo desarticular a estrutura logística do tráfico de drogas instalada em hotéis, pensões e ferros-velhos da região central. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, as ações resultaram em 3.182 pessoas presas ou apreendidas e na retirada de 51 armas de fogo de circulação entre 2023 e 2026.
Na área da saúde e assistência social, o Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas realizou 39,3 mil atendimentos desde 2023, com 34.689 encaminhamentos para tratamento especializado. O equipamento atua como porta de entrada para urgência e emergência, oferecendo apoio médico, psicológico e social aos dependentes químicos.
Segundo balanço da Secretaria da Saúde, 61% dos pacientes encaminhados foram direcionados para hospitais especializados, 26% para comunidades terapêuticas e 10% para outros serviços de saúde.
O Governo do Estado também ampliou a rede de Casas Terapêuticas. Desde 2023, foram implantados 14 complexos com 630 vagas distribuídas entre municípios da Grande São Paulo e do interior. As unidades atendem pessoas em situação de rua e com transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas, oferecendo acompanhamento multidisciplinar e programas de reinserção social.
Ao todo, 1.368 pessoas passaram pelas Casas Terapêuticas desde janeiro de 2023. O serviço inclui apoio psicológico, retomada dos estudos, orientação profissional, educação financeira e reconstrução de vínculos familiares e sociais.
Moradores e comerciantes da região central também relataram mudanças após o esvaziamento das cenas abertas de uso de drogas. Empresários afirmam que houve aumento na circulação de pessoas, retomada gradual das atividades comerciais e maior sensação de segurança. Durante os períodos mais críticos, comerciantes relataram perda significativa de faturamento, furtos, depredações e interrupções de serviços básicos.
Entre os projetos previstos para a região está o Novo Centro Administrativo Campos Elíseos. O empreendimento, leiloado em fevereiro de 2026, prevê investimento estimado em R$ 6 bilhões para construção de sete edifícios e dez torres, reunindo cerca de 22 mil servidores estaduais atualmente distribuídos em mais de 40 endereços.
Além da centralização administrativa, o projeto inclui novo terminal de ônibus, espaços de convivência, áreas comerciais, auditórios, teatro, restauração de imóveis históricos e ações de requalificação urbana na região central da capital paulista.
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