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Boicote político no comércio não é exclusividade do Brasil e já influencia hábitos de consumo em outros países


Nos Estados Unidos, consumidores de direita e esquerda já adotam escolhas comerciais baseadas em posições ideológicas, mesmo fora dos períodos eleitorais. Pesquisas mostram que a prática pode afetar as vendas das empresas.

O movimento de boicote a estabelecimentos e profissionais por preferência política, que voltou a ganhar repercussão no Brasil após as eleições de 2026, não é um fenômeno exclusivamente brasileiro.

Nos Estados Unidos, esse comportamento já é estudado há anos e recebe o nome de consumo político, prática em que consumidores deixam de comprar produtos de determinadas empresas por discordarem de seus posicionamentos ou passam a consumir marcas com as quais possuem afinidade ideológica.

Um dos casos mais conhecidos envolve a Goya Foods, fabricante de alimentos. Em 2020, após o presidente da empresa manifestar apoio a Donald Trump, grupos contrários ao republicano organizaram campanhas de boicote. Em resposta, apoiadores de Trump incentivaram a compra dos produtos.

Um estudo da Universidade Northwestern identificou aumento temporário de 22% nas vendas da marca, demonstrando que campanhas políticas também podem estimular o consumo entre grupos ideologicamente alinhados.

Outro exemplo envolve a rede de restaurantes Chick-fil-A, que enfrentou boicotes em 2012 por questões relacionadas ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Na ocasião, consumidores conservadores organizaram manifestações de apoio à empresa, comparecendo aos estabelecimentos.

Esses episódios demonstram que a prática não depende necessariamente de eleições, podendo ocorrer sempre que posicionamentos políticos ou sociais de empresários e marcas provocam reações dos consumidores.

Uma pesquisa realizada pela Ipsos, em parceria com Axios e CLYDE, entre maio e junho de 2025, revelou que 40% dos entrevistados identificados como democratas afirmaram ter deixado de comprar de alguma empresa por motivos políticos ou acontecimentos recentes. Entre os republicanos, o percentual foi de 24%.

O levantamento também mostrou que 21% dos norte-americanos entrevistados fizeram compras intencionalmente para apoiar empresas por seus posicionamentos políticos ou sociais. 

A prática, entretanto, não significa que consumidores comprem exclusivamente de empresários com a mesma orientação política. Os estudos identificam preferências, campanhas e mudanças de comportamento, não uma separação absoluta do comércio entre direita e esquerda.

No Brasil, os episódios registrados em 2020, 2022 e agora em 2026 apresentam características semelhantes, embora as campanhas atuais também incluam manifestações contra a contratação de trabalhadores por suas escolhas eleitorais.

O histórico internacional demonstra que divergências políticas podem influenciar relações comerciais independentemente do calendário eleitoral, transformando decisões de compra em manifestações de apoio ou rejeição a determinados posicionamentos.

Fontes: Ipsos, Axios, Universidade Northwestern e revista científica Marketing Science.


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