Pular para o conteúdo principal

BC alerta para avanço do superendividamento: 117 milhões têm dívidas com bancos no Brasil

Relatório aponta que quase 130 milhões têm acesso ao crédito e que 77% das famílias brasileiras estavam endividadas no fim de 2024.

O Banco Central avaliou, na nova edição do Relatório de Cidadania Financeira, que o superendividamento é um problema crescente no país. Os dados mostram que, ao fim de 2024, o Brasil tinha quase 130 milhões de pessoas com exposição a crédito e 117 milhões de clientes com carteira ativa, o equivalente a cerca de 74% da população com relacionamento bancário. Em quatro anos, segundo o BC, 32 milhões de pessoas passaram a ter acesso a produtos de crédito, numa alta de 34%.

No detalhamento das modalidades, o relatório destaca a expansão mais forte justamente nas linhas sem garantia, que costumam operar com juros mais elevados. O número de brasileiros com empréstimo pessoal mais que triplicou entre 2020 e 2024, com crescimento de 214%, chegando a 41,7 milhões de clientes. Já o total de pessoas com dívidas no cartão de crédito, considerando rotativo ou parcelado, cresceu 55% no mesmo período e alcançou cerca de 53 milhões. O cheque especial e o crédito consignado aparecem com cerca de 24 milhões de usuários cada.

No capítulo dedicado ao tema, o Banco Central afirma de forma direta que o superendividamento é um problema crescente no Brasil. Com base em dados da Serasa Experian citados no relatório, havia mais de 73 milhões de brasileiros com dívidas negativadas em dezembro de 2024. Entre essas pendências, as dívidas com bancos e cartão de crédito respondiam por 27,4%, enquanto as demais dívidas financeiras representavam cerca de 18%. O documento também registra que, naquele mês, 77% das famílias brasileiras estavam endividadas, com 29,1% tendo dívidas em atraso e 12,7% declarando não conseguir pagar o que deviam.

O relatório também chama atenção para os efeitos sociais e emocionais do problema. Segundo o BC, o impacto psicológico das dívidas pode ser profundo e abrangente, com associação a estresse, ansiedade e depressão, além de reflexos como problemas de sono, baixa autoestima e conflitos familiares. A autoridade monetária acrescenta que a facilidade de acesso ao crédito, sem oferta responsável, proteção adequada ao consumidor e educação financeira suficiente, leva muitos brasileiros a assumirem compromissos que depois não conseguem honrar.

Em paralelo ao diagnóstico do Banco Central, o governo federal discute um novo pacote para renegociação de dívidas. Segundo a Agência Brasil, a proposta em estudo inclui garantia da União para facilitar melhores condições de pagamento, possibilidade de descontos de até 80% sobre o valor das dívidas e inclusão de débitos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A mesma reportagem informa que o Ministério da Fazenda também avalia permitir o uso do FGTS para quitação de débitos, embora o formato da medida ainda não esteja definido. Já a Reuters informou que o novo programa deve mirar famílias de baixa renda, pessoas com alto comprometimento de renda e pequenos negócios, mas que o pacote ainda está em discussão e não foi oficialmente fechado.

No conjunto, os dados reforçam que o debate sobre endividamento no Brasil deixou de ser apenas estatístico e passou a envolver crédito caro, inadimplência, saúde financeira das famílias e pressão por novas soluções de renegociação. O cenário descrito pelo Banco Central indica que o problema ganhou escala nacional e tende a seguir no centro das discussões econômicas nas próximas semanas.


Comentários

Mais lidas

Homem é preso após cortar cabelo da namorada durante discussão por ciúmes em Engenheiro Coelho

Operação Consilium I prende seis pessoas e apreende drogas, simulacros e moto de origem ilícita na região de Limeira

Prefeito Junior Caleffi sanciona Plano de Carreira da Guarda Civil Municipal de Conchal

Secretaria de Saúde de Conchal implanta novo sistema de agendamento de exames e encaminhamentos na rede municipal

PF realiza operação contra fraudes no sistema financeiro e bloqueia até R$ 670 milhões ligados ao Banco Digimais