Documento entregue à PGR possui 17 anexos e relata suspeitas de crimes financeiros; acordo ainda não foi assinado nem homologado, e políticos negam irregularidades
O empresário João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de colaboração premiada com informações sobre operações financeiras relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com informações publicadas nesta quarta-feira (26) pelo UOL, o material possui 17 anexos e está em fase de ajustes antes de uma possível assinatura. O principal alvo das informações fornecidas por Mansur seria Vorcaro, mas a proposta também cita o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). As informações foram reveladas pela colunista Natália Portinari, do UOL.
A existência da proposta não significa que o acordo já tenha sido celebrado. Para produzir efeitos jurídicos, a colaboração ainda precisa passar pela negociação com as autoridades, ser formalmente assinada e posteriormente homologada pela Justiça. As declarações também terão que ser acompanhadas de provas e confirmadas por outros elementos da investigação.
Mansur relata operações atribuídas a Vorcaro
Na proposta, Mansur teria admitido que fundos administrados pela Reag foram utilizados para movimentar recursos desviados do Banco Master por meio de empresas intermediárias, supostos beneficiários de fachada e estruturas financeiras no exterior.
O ex-controlador da Reag afirma que negociava diretamente com Daniel Vorcaro e que o então dono do Master teria conhecimento das operações. Um dos anexos menciona o Jaguar Multimarket Fund, registrado nas Ilhas Cayman, para o qual teriam sido enviados R$ 494 milhões.
Segundo o relato atribuído a Mansur, o beneficiário formal do fundo seria um empresário ligado ao Master, mas o verdadeiro controlador dos recursos seria Vorcaro. Essa afirmação ainda depende de análise e comprovação pelas autoridades.
A proposta prevê que Mansur pague aproximadamente R$ 40 milhões em multas, valor que corresponderia ao que recebeu enquanto a Reag estava em funcionamento.
Ingressos destinados a Jaques Wagner
Jaques Wagner aparece em um anexo relacionado à compra de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, realizado em São Paulo em 2023.
Segundo o relato, Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, teria pedido a Mansur que providenciasse os ingressos, avaliados em R$ 63,3 mil, posteriormente destinados ao senador.
Wagner afirmou que a aquisição ocorreu após um pedido pessoal feito a um amigo para ajudá-lo a conseguir os bilhetes. O senador também declarou não conhecer João Carlos Mansur e nunca ter mantido relação com a Reag.
A citação dos ingressos na proposta não representa, por si só, acusação formal ou comprovação de crime.
Fundo ligado a ACM Neto
ACM Neto é citado por ser o único cotista do fundo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. Por meio desse fundo, teriam sido investidos cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, ligado a empréstimos consignados originados pelo Banco Master.
Segundo as informações divulgadas, ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95. O patrimônio do fundo teria alcançado R$ 11,94 milhões em outubro de 2025.
Em manifestação, o ex-prefeito afirmou que o fundo foi criado em 2021 com recursos próprios, declarados e de origem lícita. Segundo ele, a Reag foi contratada para administrar os investimentos conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
ACM Neto também declarou que a rentabilidade foi compatível com o mercado, que os impostos foram recolhidos e que todas as operações ocorreram dentro da legalidade.

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